América do Sul dribla crise do turismo nos EUA
Times Square, em Nova York: a cidade é o principal destino da nova onda de turistas sul-americanos, com o Brasil perto de se tornar o terceiro maior mercado emissor de visitantes para os Estados Unidos em 2026 (Pexels)
O turismo americano vive um dos piores momentos das últimas décadas, com queda de visitantes vindos da Europa, da Ásia e da Oceania . Nesse cenário, a América do Sul se tornou a única região do mundo a puxar os números para cima. Mais de 2,7 milhões de sul-americanos visitaram os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, alta de 5,5% sobre o mesmo período do ano anterior, segundo dados da Administração de Comércio Internacional dos Estados Unidos compilados pela Bloomberg Businessweek.
O crescimento chama atenção porque vai na contramão do resto do mundo. Alemanha, Índia e Austrália registraram quedas expressivas de visitantes ao país no mesmo intervalo, refletindo a tensão geopolítica que se instalou desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca . A instabilidade na fronteira sul e o desgaste diplomático com parceiros tradicionais afastaram parte do turismo internacional, mas não impactaram da mesma forma os países latino-americanos .
A Copa do Mundo, sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá , deu um empurrão extra a essa movimentação . Cerca de 50 mil equatorianos entraram no país só em junho, alta de 55% ante o mesmo mês de 2025. Os colombianos cresceram mais de 20% no período, somando quase 150 mil visitantes. O Brasil teve quase 1 milhão de turistas no semestre, volume que o coloca no caminho para ultrapassar o Japão e virar a terceira maior origem de visitantes dos Estados Unidos em 2026, atrás só do Reino Unido e da Índia . A Argentina cresceu 15% em 2025.
Ainda assim, nem a força do futebol foi suficiente para elevar o total de chegadas internacionais ao país em junho, mês de estreia do torneio. O México teve resultado oposto, com salto de visitantes durante a competição.
O visto para a entrada nos EUA durante a Copa do Mundo teve tempo reduzido de espera em relação aos anos anteriores (Imagem gerada por IA)
Nesse período, viajantes do Brasil, da Argentina, da Colômbia e do Equador esperaram em média 80 dias em julho por uma entrevista de visto de turismo, ante mais de 230 dias no início de 2024 , de acordo com levantamento da Associação de Viagens dos Estados Unidos citado pela Bloomberg Businessweek. A taxa do visto americano é de US$ 185 , cerca de R$ 960 na cotação atual.
A resposta das companhias aéreas também ajuda a explicar o fluxo. A American Airlines afirma operar 100 destinos na América Latina e no Caribe, com a retomada de voos para a Venezuela. A United Airlines mantém mais de 60 rotas para a região e planeja ampliar a oferta para a Colômbia neste ano. A Delta Air Lines também reforçou sua presença na América do Sul, apontada internamente como destaque de sua operação internacional.
O setor de turismo dos Estados Unidos tenta aproveitar essa janela.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em exame.com — o conteúdo pertence a Exame.