Inadimplência do Banco do Brasil (BBAS3) dispara no cartão; CFO revela o que deu errado e como o banco vai reagir
O Banco do Brasil (BBAS3) encontrou um novo problema justamente onde esperava encontrar parte da solução para a crise do crédito.
Depois de meses tendo o agronegócio como principal dor de cabeça, a carteira de pessoa física passou a dar sinais mais fortes de deterioração no segundo trimestre.
E o cartão de crédito foi o principal ponto de pressão: a inadimplência acima de 90 dias praticamente dobrou em apenas três meses .
O movimento acendeu um alerta porque acontece em uma carteira que o BB vinha usando como um dos motores para mudar o perfil do banco e reduzir a dependência do crédito rural.
Veja aqui: Balanço do Banco do Brasil (BBAS3) no 2T26 não foi tão bom quanto parece; mercado vê pouca margem para erros Para o banco, porém, o aumento não representa uma deterioração generalizada da carteira de pessoas físicas.
A administração do BB afirma que o episódio tem uma causa específica — e que já tomou medidas para evitar que ele se repita.
O que está por trás da inadimplência do Banco do Brasil no cartão? O principal foco de pressão veio de uma modalidade de parcelamento automático da fatura sem entrada , criada para oferecer uma alternativa de pagamento, principalmente, a clientes de menor renda.
A solução, no entanto, acabou produzindo um efeito de bola de neve na inadimplência, segundo o vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do BB, Geovanne Tobias .
“Quando começou, passamos a rodar essa nova modalidade de parcelamento automático sem o pagamento de uma entrada, só que percebemos que isso virou quase como se estivesse se retroalimentando”, afirmou Tobias, em entrevista coletiva nesta quinta-feira (13).
O Banco do Brasil diz que identificou o comportamento ainda no primeiro trimestre, interrompeu a operação no fim de março e antecipou parte das provisões.
O impacto, porém, apareceu com mais força no balanço do segundo trimestre.
“Nós provisionamos antecipadamente no primeiro trimestre; efetivamente aconteceu e reconhecemos a inadimplência agora no segundo trimestre”, disse Felipe Prince , vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos.
Banco do Brasil muda a estratégia para crescer sem carregar tanto risco O Banco do Brasil reconhece que a expansão da pessoa física trouxe exposição maior a clientes mais sensíveis ao ciclo econômico .
A resposta, agora, é mudar a composição desse crescimento, direcionando o crédito para segmentos considerados mais resilientes e com melhor retorno ajustado ao risco.
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