Mercado dá primeiros sinais concretos de retorno da tese de dólar fraco
O dinheiro voltou a se mexer na direção do ouro.
Na semana passada, os fundos de metais preciosos e de criptomoedas registraram as maiores captações em vários meses, o metal atingiu a máxima desde meados de maio e o dólar acumula forte queda no mês contra as principais divisas.
São os primeiros sinais concretos de que uma tese que dominou 2025, animou o início deste ano e perdeu força a partir do meio de 2026 pode estar voltando: a de que a moeda americana tende a se desvalorizar ao longo do tempo.
A tese, chamada lá fora de debasement trade , se baseia na ideia de que, quando um governo se endivida demais e passa a intervir para segurar os juros que paga, cresce a desconfiança de que, mais cedo ou mais tarde, a conta será paga com uma moeda mais fraca.
Quem acredita nisso compra o que não pode ser emitido: ouro, commodities e, mais recentemente, Bitcoin ( BTC ).
O estopim foi a decisão do Tesouro americano de ampliar a recompra de títulos longos , num momento em que o juro do papel de 30 anos rondava o maior patamar desde 2007.
O anúncio derrubou os juros longos e enfraqueceu o dólar, tirando o mercado de criptomoedas de meses de letargia, mas o alívio durou pouco e os rendimentos voltaram a subir.
Na semana passada, os fundos negociados em bolsa (ETFs) de metais preciosos captaram US$ 4,6 bilhões, quase tudo em ouro, e os de criptomoedas receberam US$ 2,8 bilhões.
Só o GLD, maior fundo de ouro do mundo, ficou com US$ 3,4 bilhões.
Ao mesmo tempo, os ETFs de ações tiveram entrada fraca, e os do setor financeiro americano registraram a maior saída.
Leia também “Deixe o mercado de títulos falar”: Druckenmiller dá puxão de orelha em Bessent Em artigo no Wall Street Journal, o gestor que foi chefe do secretário do Tesouro dos EUA critica proposta de intervenção e aponta desgaste na credibilidade do mercado de Treasuries Bitcoin supera US$ 80 mil com volta do otimismo ao mercado cripto Plano de recompra de títulos do Tesouro americano enfraqueceu o dólar e ajudou a tirar os criptoativos de meses de estagnação “Achamos que a diversificação gradual para fora do dólar americano, e uma tendência de depreciação no médio e longo prazo, vai permanecer intacta”, escreve a equipe de investimentos do UBS, liderada pelo diretor global Mark Haefele, em relatório publicado nesta terça-feira (25).
Os analistas dizem que a tensão no Oriente Médio e o petróleo mais caro podem dar algum apoio à divisa no curto prazo, mas a trajetória fiscal americana, a incerteza sobre a política comercial e a evidência crescente de que vários países vêm reduzindo a fatia de dólar em suas reservas seguem apoiando a tese de enfraquecimento.
O ouro é o principal beneficiado nessa leitura.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.