O fenômeno raro que faz o gelo da Antártida parecer sangrar um líquido vermelho-vivo
Salmoura hipersalina rica em ferro emerge da geleira Taylor e cria uma das paisagens mais estranhas já observadas na Antártida
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR No coração de um dos desertos mais frios da Terra, as Blood Falls escorrem pela geleira Taylor como uma mancha vermelho-escura sobre o gelo branco. Apesar da aparência de sangue, o líquido vem de uma salmoura subterrânea extremamente salgada e rica em ferro, preservada em um ambiente praticamente sem oxigênio sob a geleira.
O fenômeno está localizado na geleira Taylor, nos Vales Secos de McMurdo, na Antártida. Periodicamente, uma salmoura hipersalina emerge por fraturas próximas à extremidade da geleira e se espalha pelo gelo, criando uma mancha que varia do laranja ao vermelho-escuro.
A explicação está principalmente no ferro presente nessa água. Enquanto permanece no ambiente subterrâneo pobre em oxigênio, parte desse elemento encontra-se em formas reduzidas. Quando a salmoura alcança a superfície, o contato com o ambiente favorece sua oxidação e a formação de materiais ricos em ferro que produzem a coloração avermelhada.
A água das Cataratas de Sangue contém uma concentração elevada de sais. Isso reduz seu ponto de congelamento e permite que a salmoura continue líquida em temperaturas nas quais água doce já teria congelado. O próprio processo de congelamento parcial concentra ainda mais os sais restantes.
O vídeo abaixo aborda especificamente o mistério das Cataratas de Sangue e apresenta a explicação científica para a salmoura rica em ferro que emerge da geleira Taylor.
Durante anos, o fenômeno foi frequentemente descrito como resultado de um único “lago subterrâneo”. Hoje, as evidências apontam para algo mais complexo: um sistema de água subterrânea hipersalina que se estende sob a parte inferior da geleira Taylor e está conectado a sedimentos saturados.
Pesquisas sugerem que essa água pode ter origem em antigas incursões marinhas na região, posteriormente isoladas à medida que o gelo avançou. Um estudo publicado na Nature Communications revelou que o reservatório de salmoura é muito mais extenso do que se imaginava e alcança vários quilômetros sob a geleira.
A idade exata não pode ser resumida de maneira segura a “1,5 milhão de anos”. Estudos apontam para uma história geológica muito antiga e sugerem que a salmoura está relacionada a águas marinhas remanescentes de períodos em que o vale apresentava condições diferentes das atuais. Pesquisas recentes continuam refinando essa origem.
Mais surpreendente ainda é saber que esse ambiente não é completamente estéril. Comunidades microbianas adaptadas ao frio, à salinidade elevada e à ausência de luz conseguem sobreviver ali utilizando reações químicas como fonte de energia.
O sal é parte central da resposta. Quanto mais concentrada a salmoura, menor sua temperatura de congelamento. Além disso, estudos mostram que o calor liberado durante o congelamento parcial pode favorecer a manutenção de pequenos caminhos líquidos dentro da geleira.
A própria movimentação do gelo também participa do processo. Pressões geradas sob a geleira podem empurrar a salmoura através de fraturas e canais até a superfície.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.