Juros, inflação e Treasuries: Primeiro Jackson Hole de Warsh testa credibilidade do Fed
Pela primeira vez desde que assumiu o comando do Federal Reserve em maio, Kevin Warsh participará do Simpósio de Política Econômica de Jackson Hole como presidente do banco central americano.
Em um momento de incertezas sobre inflação, juros, dívida pública dos Estados Unidos, guerra e até o futuro do mercado de Treasuries, a fala do dirigente se tornou um dos eventos mais aguardados do calendário econômico global.
O encontro acontece entre os dias 27 e 29 de agosto, em Wyoming, e tem como tema oficial neste ano “Inovação Financeira: Implicações para Pagamentos e Política Econômica”.
Apesar do assunto escolhido pelos organizadores, o mercado estará atento principalmente aos sinais de Warsh sobre os próximos passos da política monetária americana.
Desde que sucedeu Jerome Powell , o novo presidente do Fed tem adotado uma estratégia de comunicação diferente da dos antecessores.
Warsh reduziu o uso do chamado forward guidance (orientação antecipada sobre juros), encurtou os comunicados oficiais e evitou fornecer indicações claras sobre o rumo da taxa básica americana.
A postura aumentou a expectativa para sua estreia em Jackson Hole.
Tradicionalmente, o evento é utilizado por presidentes do Fed para apresentar mudanças importantes de visão ou preparar o mercado para futuras decisões de política monetária – embora Powell tenha sido sucinto em suas últimas participações.
Nas últimas semanas, Warsh afirmou que pretende usar o simpósio para discutir as “grandes questões” da economia, citando produtividade, mudanças demográficas e choques globais.
O “elefante na sala” é a inflação Mesmo com alguns sinais recentes de desaceleração dos preços, a inflação americana continua acima da meta de 2% perseguida pelo Fed há anos.
Economistas e ex-dirigentes da instituição avaliam que Warsh precisará aproveitar Jackson Hole para explicar como pretende levar a inflação de volta ao objetivo oficial e, principalmente, qual é sua disposição para elevar os juros caso seja necessário.
As dúvidas cresceram após a reunião de julho do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) , quando o dirigente reforçou seu compromisso com a estabilidade de preços, mas evitou responder de forma direta em quais condições apoiaria uma nova alta dos juros.
A ausência de direcionamento provocou desconforto entre investidores, que passaram a questionar qual é exatamente a função de reação do novo comando do Fed.
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