Por que você não deve fazer uma “desintoxicação de dopamina”
Ao contrário do que se costuma pensar, a dopamina , molécula essencial para o funcionamento do nosso “ sistema de recompensa ”, não tem a função de codificar diretamente o prazer.
Tinder, TikTok, Instagram, Candy Crush , para citar apenas algumas… ouvimos frequentemente dizer que esse tipo de aplicativo é projetado para “ sequestrar nosso sistema de recompensa ”, o circuito que, em nosso cérebro , influencia nossos desejos, prazeres e emoções, desempenhando papel em processos diversos como a sexualidade e os vícios relacionados às drogas .
No centro desse sistema está a dopamina , uma molécula que participa da antecipação da recompensa.
Segundo muitos influenciadores e podcasters , para proteger nosso sistema de recompensa diante dos inúmeros estímulos que recebe diariamente, seria necessário fazer uma “ desintoxicação de dopamina ”, privando-nos de prazeres.
Para isso, as recomendações são variadas: tomar banhos frios , expor-se à luz da manhã, elaborar listas de prazeres a serem evitados para “reiniciar” os neurotransmissores… Entre referências às neurociências e discursos sobre o bem-estar, bastaram algumas décadas para que a dopamina se tornasse ao mesmo tempo a causa de nossos vícios modernos e a chave para nossa realização pessoal.
A psiquiatra de Stanford, Anna Lembke, chegou a escrever um best-seller, Dopamine Nation , considerado por alguns como um manual para realizar essa “desintoxicação”.
Continua após a publicidade No entanto, nos laboratórios que estudam o funcionamento dessa molécula, como aquele em que trabalho, o discurso é totalmente diferente .
Vamos, então, desmistificar alguns mitos. +Leia também: Controlar dopamina é a nova moda das redes sociais.
Faz sentido? A dopamina é um sinal de aprendizagem Na virada da década de 1990, o neurofisiologista Wolfram Schultz conduziu em macacos uma série de experimentos que se tornaram clássicos.
Enquanto os primatas aprendiam uma nova tarefa, ele registrava, ao mesmo tempo, a atividade de seus neurônios dopaminérgicos (ou seja, os neurônios que produzem dopamina).
O exercício era simples: um sinal luminoso anunciava que, alguns segundos após sua ativação , chegaria um pouco de suco de fruta.
Continua após a publicidade Nos estágios iniciais do aprendizado, Schultz observa que os neurônios se ativavam no momento em que a recompensa chegava .
Mas, à medida que o macaco memorizava a associação entre o estímulo e a recompensa, a atividade dos neurônios dopaminérgicos se deslocava : ocorria assim que o sinal luminoso aparecia e deixava de ocorrer no momento da própria recompensa.
E se o pesquisador não fornecia o suco, embora ele tivesse sido anunciado pelo estímulo, a atividade dos neurônios dopaminérgicos caía abaixo do seu nível basal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em saude.abril.com.br — o conteúdo pertence a Veja Saúde.