Quem é jornalista para o Supremo?
Uma decisão da última semana colocou o Supremo Tribunal Federal novamente no centro das notícias .
Alguns meses após ter ordenado uma busca e apreensão na casa de Luís Pablo, jornalista independente do Maranhão, Alexandre de Moraes ordenou uma operação contra Raimundo Cutrim, secretário do governo maranhense, desafeto de Flávio Dino e fonte das informações do jornalista.
Contudo, a operação contra Cutrim só foi possível em decorrência dos dados obtidos nos dispositivos de Luís Pablo.
Como era de se esperar, parcela relevante da sociedade e dos jornalistas denunciou a aparente ilegalidade.
Nesse cenário, igualmente previsível foi o comportamento do colunismo pró-Supremo , que começou a disparar suas frases de efeito em uma tentativa de descredibilizar críticas legítimas à decisão.
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Uma ressalva semântica aqui se faz necessária.
Colunismo pró-Supremo talvez não seja a melhor forma de descrever o comportamento dessas figuras, porque elas não são amigas da Corte – mas de alguns de seus ministros.
Verdadeiros amigos da Corte usam da crítica como instrumento de aperfeiçoamento da instituição; amigos dos ministros, por outro lado, são como Dâmocles, vivem do cortejo e da bajulação.
Essas figuras têm pouco cuidado com a teoria e com a dogmática.
É por isso que rebater suas acusações é um dever cívico daqueles que anseiam por uma esfera pública intelectualmente mais rigorosa.
Neste texto, tomarei como exemplo a crítica publicada por Georges Abboud a respeito do caso. [1] O senhor Abboud e eu já debatemos noutra ocasião ( afirmação , resposta e réplica ), experiência em que conheci seu vasto repertório bibliográfico e a elegância de sua prosa.
Na mesma oportunidade, também fui exposto a grandiloquentes referências que combinavam sincretismo teórico e descuido metodológico – uma verdadeira alquimia de argumentos frágeis, mas muito bem adornados.
Neste último caso, não foi diferente.
Comecemos pelos fatos A compreensão da situação remete pelo menos a outubro de 2025, quando Flávio Dino foi sorteado para relatar um processo de Raimundo Cutrim.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.